Wednesday, July 18, 2007

 

Olha, ele morreu, tá?

A velha história de saber que seu familiar morreu pela televisão se repete.

A primeira péssima experiência foi em 1996, quando o vôo 402 da ponte aérea caiu 24 segundos após a decolagem. Na ocasião, um dos fatos mais marcantes foi o da filha de um dos passageiros, que correu para chamar a mãe dizendo "mamãe, olha, o nome do papai está na TV!".

Outro acidente: Vôo 3504. E, mais uma vez, vemos a dor dos familiares que foram 'avisados' pela imprensa que seus entes estavam a bordo. É a repetição do mesmo erro, com o aviso sendo passado primeiro pela imprensa, para, quem sabe, depois ser oficializada por alguém da equipe da companhia aérea.

Se já há uma Instrução de Aviação Civil (IAC 200-1001, de 2005) que impede a divulgação dos nomes sem que os parentes sejam avisados, porque há o desrespeito? Qual é, EFETIVAMENTE, o interesse jornalístico dos órgãos de imprensa em divulgar apressadamente o nome das vítimas?

Gostaria de um dia ver o que ocorre nos EUA: enquanto a família não é avisada efetivamente, o nome simplesmente não é informado. E a imprensa não fica perguntando, porque sabe que é ilegal e imoral ser ELA a fonte da notícia que seu parente morreu.

A IAC 200-1001 em seu item 4.3 a) diz:

4.3 PROCEDIMENTOS A SEREM IMPLEMENTADOS PELAS EMPRESAS AÉREAS:
a) preservação da lista dos passageiros embarcados, em caráter confidencial, até a divulgação para o público. A lista dos passageiros a bordo só poderá ser divulgada após a notificação aos familiares, ficando a critério da Empresa Aérea fazer a divulgação parcial, mediante o andamento das notificações;


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