Saturday, March 27, 2010
Presos, mas... culpados?
Apesar de serem efetivamente os culpados pela morte da filha e enteada Isabella, desde o começo eu defendia que eles não fossem condenados.
Mas por que? Pelo simples fato que a polícia civil e polícia científica fizeram um trabalho patético durante a investigação. A polícia civil deixou de preservar o local do crime e chegou até mesmo a ir fazer "uma boquinha" na geladeira do apartamento durante uma diligência.
A imprensa, ávida por um cadáver de preferência fresco e jovem, não foi diferente: explorou ao máximo o caso. O povo, afinal, não consegue ver um político na cadeia então se contentou com o circo e o pão oferecidos pela imprensa na cobertura.
Eu tenho verdadeira ojeriza pela imprensa quando o assunto é apuração policial. O caso da Escola Base, em 1994, demonstrou o que a imprensa pode fazer: inocentar um culpado ou culpar um inocente.
Na resenha do livro (original em PDF) "Caso Escola base: Os Abusos da Imprensa" (ISBN 8508055080 UPC 9788508055081, editora Ática), José Luís de Freitas escreveu:
Com a leitura atenta, é impossível não perceber a visão turva que os jornalistas passam durante a cobertura do caso, poucos se comprometeram diretamente com o que escreveram, infelizmente não foram capazes de identificar dois dos mais essenciais componentes do tipo de notícia que cotidianamente ilustra os exemplos de abusos da imprensa: a notícia-espetáculo e o denuncismo.
Estão amalgamados, pelo sentimento único, a sede de justiça, e encobertos pela ignorância ou, em outras palavras, com a certeza que o leitor secundário, o Hommer brasileiro, tende a manter a crença de que a imprensa sempre julga os fatos com conhecimento de causa. O desejo de furar a concorrência para conquistar novos anunciantes e vender mais, impossibilita uma cobertura eticamente responsável no curto prazo, com a mínima apuração possível.
A imprensa (como empresa) precisa vender jornais, revistas ou anúncios nos intervalos, e conta com repórteres incompetentes e editores imbecis para produzir matérias mediocres e tendenciosas. E conta ainda com o "Hommer brasileiro" - apelido criado por William Bonner, apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional da Rede Globo para designar o telespectador desprovido de conhecimentos técnicos mais amplos e exigente do ponto de vista analítico, para aplaudir quando um cidadão comum sofre nas mãos da justiça, enquanto os bandidões travestidos de políticos ficam impunes.
Por isso defendi que eles fossem inocentados. Não porque não cometeram o crime, mas sim porque nunca poderiam ter um julgamento justo e imparcial.
Posts anteriores:
Quem fala muito dá bom dia a cavalo
Escola Base: Guarde bem esse nome
Leia mais:
De Bonner para Homer, O editor-chefe considera o obtuso pai dos Simpsons como o espectador padrão do Jornal Nacional
Resenha crítica escrita por José Luís de Freitas sobre o livro: Caso Escola Base – Os abusos da imprensa - em PDF (59kb)
Entenda o caso da Escola Base - O Globo Online, 13/11/2006
Escola Base - artigo na Wikipédia
Onze anos do caso escola base - Fazendo média, 30/07/2005
A Ilustração deste post foi retirada do blog Caneta Sem Fronteira
Labels: caso isabella, escola base, imprensa, rua cuba