Monday, October 28, 2002
Eu não recebi nada do que pedi...
Mas eu recebi tudo de que precisava
Com o fim de mais uma eleição para governador, eu lembrei do Mário Covas e da sua doença. Eu tive o prazer de algumas vezes almoçar com ele no restaurante do Palácio, onde ele gostava de aparecer às quartas-feiras, para comer a feijoada.
Durante uma entrevista concedida do Instituto do Coração (InCor) no dia 30 de novembro de 2000, Mário Covas leu uma mensagem que lhe fora entregue por uma eleitora, cujo marido também estava internado no InCor. Era uma fábula de autor desconhecido, adaptada pela professora Mary Lourdes Machado Barbosa. Até hoje eu lembro de um comentário que eu ouvi no prédio da Folha, entre um repórter-fotográfico e uma redatora: "todos os jornalistas choraram durante a entrevista - mesmo aqueles que não gostavam dele (Mário Covas)". Isso mostra que, mesmo sendo frios e até mesmo contra o governo, existe um certo toque de "humanidade" em um jornalista.
"Amigos
Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo.
Um homem sentou e observou a borboleta por vária horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
Então, pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.
Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta, então, saiu facilmente.
Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observá-la porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.
Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.
O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
Algumas vezes, o esforço é, justamente, o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, nos deixaria aleijados. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
Eu pedi forças... e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte. Eu pedi sabedoria... e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem... e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi... mas eu recebi tudo de que precisava."
Fábula, de autoria desconhecida, lida pelo governador Mário Covas Neto durante entrevista coletiva concedida no Instituto do Coração em 30 de novembro de 2000.(leia mais aqui)
Labels: filosofia de vida, literatura